
(Foto: Pexels)
Por Mari Campos
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O silêncio e a paz dos seus templos se contrapõem à atmosfera vibrante de suas cidades. A monocromia dos bambuzais dos jardins é o antídoto ideal aos luminosos de propaganda que tomam a paisagem nos centros comerciais. A formalidade e o comedimento dos gestos das pessoas nas ruas durante o dia se transformam em irreverência e uma certa liberalidade nos karaokês e casas noturnas.
Não é por acaso que o Japão se converteu em um dos destinos de viagem mais desejados do ano: um país paradoxal do começo ao fim, com um jeito de viver muito particular, onde o passado milenar convive harmoniosamente com o design moderno de suas cidades, a cultura da eficiência e a busca das pessoas e empresas em antecipar o futuro ainda no presente.
Uma nação de geografia insular, com quatro grandes ilhas principais – Honshu, Hokkaido, Kyushu e Shikoku –, cujo território tem aproximadamente 378 mil quilômetros quadrados, onde vivem 124 milhões de pessoas. É uma área 22 vezes menor do que o Brasil, mas que abriga a quarta maior economia do mundo.

Símbolo do país, Monte Fuji testemunha a dicotomia entre passado e futuro na capital, Tóquio (Foto: Pexels)
Diverso, é um destino com atrações para todo tipo de viajante: cosmopolitas encontram diversão nas metrópoles, culturais se surpreendem com as pequenas cidades do interior, esportistas e naturistas podem curtir desde praias paradisíacas em Okinawa a “banhos de floresta” pelos parques e trilhas em Yakushima e Yoshi-Kumano.
Mas, se o tempo de viagem for curto, a dica é resumir a experiência visitando as duas cidades que melhor sintetizam essa ambivalência japonesa: Tóquio e Kyoto. Distintas e complementares, elas se conectam por via aérea e terrestre, mas a dica é viajar nos confortáveis “shinkansen”, o revolucionário trem bala japonês, que desliza pela paisagem com vista para o Monte Fuji a 320 km/h. Ambas as cidades resumem bem o Japão: aquele das telas de cinema, com arranha-céus impressionantes e neons infinitos de Tóquio; e o lugar do imaginário coletivo, dos templos, parques e ruelas simplórias, onde gueixas caminham com seus trajes peculiares, como se vê em Kyoto.

Vista aérea de Tóquio: Monte Fuji testemunha a dicotomia entre passado e futuro na cidade (Foto: Go Tokyo/Divulgação)
CAPITAL DO FUTURO
Apesar de sua escala monumental, Tóquio não se impõe pelo excesso. Tecnológica, dinâmica, hiperfuncional, a metrópole possui uma coreografia urbana própria, em que tudo flui harmoniosamente. Cada bairro é um mundo a parte, portanto, é preciso tempo, atenção e disposição para absorver o melhor de cada um: lifestiyle luxuoso de Ginza, endereço das boutiques e restaurantes sofisticados, o verde de Marunouchi e dos arredores do Palácio Imperial, a vivacidade de Shibuya e a bossa dos cafés e bares em Azabu-Juban, como Tokyo Confidential, um dos melhores da cidade, no rooftop de um prédio da região.
A capital japonesa tem ainda parques imperdíveis, como o Todoroki Ravine, Gotokuji e Meiji Jingu Shrine. Dentre os museus, não deixe de visitar o discreto Ghibli Museum, com acervo sobre quadrinhos e animação, e os tradicionais The National Art Center e The National Museum of Modern Art.

Trem de alta velocidade corta a cidade. Sob os trilhos, comércio local e restaurantes em Roppongi (Foto: Go Tokyo/Divulgação)
Neste labirinto de atrações culturais, a gastronomia talvez seja o aspecto mais sofisticado desta fusão entre memória e futuro: cada prato é simultaneamente uma construção estética contemporânea e uma homenagem aos ingredientes ancestrais.
De badalados restaurantes, como Abysse ou Crony, a descobertas gastronômicas feitas no mercado Tsukiji Fish Market ou em discretas cozinhas sob os trilhos que cortam a cidade, a capital do Japão guarda surpresas para a turma “foodie”.
Quanto a hospedagem, embora o Park Hyatt Tokyo tenha ficado famoso por servir de cenário ao filme “Encontros e Desencontros” (2003), de Sofia Coppola, com Bill Murray e Scarlett Johansson, a grande dama da hotelaria local é o The Peninsula Tokyo. As suítes do moderno edifício projetado por Kazukiyo Sato têm enormes janelas com vistas sedutoras para toda a cidade, serviço impecável, restaurantes, spa recém-renovado, um acervo de arte com quase mil obras nacionais e menu de experiências que inclui passeios guiados pela cidade.

Lobby do hotel The Peninsula Tokyo: luxo atual (Foto: The Peninsula/Divulgação)
CAPITAL DO PASSADO
Se Tóquio representa o Japão do presente e do futuro, Kyoto é o resgate das tradições milenares japonesas. A cidade fundada ainda no século I, foi capital da Corte Imperial entre 794 e 1868. Por conta disso, guarda construções históricas que são joias arquitetônicas, como o templo budista Kinkaku-ji, o santuário xintoísta Fushimi Inari-taisha e o Kiyomizu-dera, erguido há mais de 1.250 anos, no Monte Otowa. Prefira fazer as visitas cedo pela manhã ou no final de tarde, para uma experiência singular ao por-do-sol.
Em Kyoto, o ritmo é lento, ditado pelas bicicletas que dominam as ruas da cidade. Passear por bairros como Gion – onde as “maikos”, as aprendizes de gueixa, desfilam sua graça – ou Arashiyama, com seus bosques de bambu, dá a sensação de ter entrado numa cápsula do tempo. As paisagens idílicas também ajudam com essa percepção: os canais de Shirakawa e Outou, o Lago Biwa, não decepcionam em encantamento nem ao mais experiente dos viajantes.

Na hora de provar a culinária da cidade, as portinhas mais despretensiosas escondem os melhores pratos. O “kaiseki” (alta gastronomia) local propõe a harmonia absoluta entre estação, território e técnica, valorizando os ingredientes mais simples – como tofu e vegetais – em menus de casas disputadas, como Cenci ou Lurra. E as ruelas mais discretas guardam os melhores bares, como o Prestige, que serve mixologia de primeira ao som de jazz, ou o speakeasy Bee’s Knees.
Como opção de hospedagem, o The Ritz-Carlton Kyoto segue como destino certo para quem busca conforto e sofisticação. Às margens do Rio Kamogawa, tem 134 acomodações com vistas mágicas das montanhas Higashiyama – incluindo as suítes no estilo ryokan, com varandas voltadas para a cidade –, spa, 409 obras de arte distribuídas pelas áreas comuns, além de quatro bares e restaurantes com estrelas Michelin. Menção especial ao café da manhã, servido com croissants e brioches da Pierre Hermé Boutique, de Paris.

Suíte do hotel The Ritz-Carlton Kyoto prioriza a discrição e excelência, com vista para o rio Kamogawa (Foto: The Ritz-Carton/Divulgação)
Dos templos milenares aos arranha-céus futurísticos, dos pacatos vilarejos à cidade mais vibrante do planeta, das descobertas gastronômicas escondidas em endereços anônimos aos restaurantes mais badalados, é impossível passar incólume pela essência paradoxal deste país encantador. E não há jetlag capaz de ofuscar esse fascínio.
SERVIÇO:
The Peninsula Tokyo
peninsula.com/tokyo
@thepeninsulatokyo
The Ritz-Carlton Kyoto
ritzcarlton.com/kyoto
@ritzcarltonkyoto