
(Foto: Shutterstock)
Por Fabiano Mazzei
Tempo de leitura: 10 minutos
A mobilidade aérea é, hoje, um pilar estratégico para a competitividade empresarial. Em uma economia globalizada, a capacidade de transportar executivos com rapidez, segurança e confiabilidade não é apenas um diferencial: é um recurso que pode determinar a sobrevivência de companhias e a perda de negócios.
Entretanto, a infraestrutura operacional da aviação comercial – no Brasil e no mundo – ainda enfrentam desafios que impactam diretamente na produtividade, nos custos e nos resultados corporativos.
Em setembro de 2025, uma pesquisa divulgada pela TravelPerk, plataforma orientada por inteligência artificial que monitora gastos com viagens de negócios em todo o mundo, apontou que as empresas americanas acumularam US$ 17 bilhões em perdas relacionadas a deslocamentos de seus funcionários nos 12 meses anteriores.
No estudo, 87% dos viajantes relataram ter vivido problemas como atrasos e cancelamentos de voos nos Estados Unidos, gerando custos adicionais com remarcações, estadia e transporte local. No âmbito global, o percentual é ainda maior: 9 em cada 10 profissionais tiveram imprevistos em suas viagens de trabalho. Para 28% dos 7 mil entrevistados, oriundos dos Estados Unidos e Europa, estes imprevistos levaram a perdas de contratos e oportunidades de negócios. Entre os executivos C-level, 40% relataram prejuízos – confirmando que o custo invisível dos atrasos não é apenas financeiro, mas estratégico.
“Viagens não podem ser vistas apenas como uma linha a mais no planejamento, mas parte fundamental da estratégia para o sucesso das empresas”, afirma Roy Hefer, CFO da TravelPerk. “Dessa forma, merecem a mesma atenção endereçada a outras decisões de investimento”, diz.

BRASIL
No Brasil, o contexto é desafiador. O volume de passageiros afetados por cancelamentos em 2024 foi de 4,3 milhões – alta de 39% em relação ao ano anterior. Quando somados aos atrasos de voos superiores a 15 minutos, foram 19,7 milhões de pessoas, conforme levantamento da empresa AirHelp.
Parte do problema se deve a redução da malha aérea nacional. No ano passado, 135 aeroportos brasileiros contavam com voos regulares – 17 a menos do que 2023. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o número de locais não mais atendidos chegou a 29 e apenas 12 novos aeroportos foram incluídos no período.
Este panorama reflete as dificuldades econômicas das companhias em manter operações em rotas de menor demanda, apesar do crescimento geral de passageiros, culminando em uma alta concentração da oferta de voos nas grandes capitais do país, deixando muitas cidades médias e destinos regionais com pouca ou nenhuma conectividade. Isso tem forçado os executivos a recorrerem a viagens terrestres longas ou múltiplos trechos aéreos, elevando o custo total de deslocamento e ampliando a probabilidade de atrasos e cancelamentos que prejudicam agendas e negócios.

ALTERNATIVA
Diante deste ambiente operacional complexo, a aviação executiva se consolida como alternativa estratégica para empresas que não podem depender exclusivamente da aviação comercial.
O segmento vem crescendo no Brasil de forma consistente. Em 2025, a frota chegou a 10,9 mil aeronaves, com aumento expressivo de +18% nos jatos, +13% de turboélices e +10% de helicópteros a turbina, conforme monitoramento da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag). A entidade estima que 1 milhão de voos privados tenham sido realizados no país no ano passado – apenas no primeiro semestre, a movimentação já havia sido 32% maior ao mesmo período do ano anterior.
“A aviação de negócios é um motor de desenvolvimento econômico e social, conectando cidades, fomentando investimentos e ampliando a mobilidade de pessoas e empresas”, declarou Flávio Pires, CEO da Abag.
Para Rogério Andrade, CEO da Avantto, o setor tem sido impulsionado justamente pela necessidade de mobilidade mais flexível, rápida e alinhada às agendas corporativas e de lazer, especialmente para alcançar destinos sem cobertura eficiente de voos regulares.
“Viajantes de negócios, especialmente aqueles com necessidade de deslocamento fora dos principais hubs da aviação comercial, perdem muito tempo em viagens”, analisa Andrade. “Esta é uma lacuna de mercado que as aeronaves privadas podem preencher muito bem”, diz.
“Neste aspecto, o uso de aeronaves executivas tem se mostrado cada vez mais essencial para a otimização do tempo e para garantir que estes profissionais cheguem aos seus destinos quando e como desejarem”.
A possibilidade de acessar aeroportos comerciais, regionais ou pistas privadas, também representaria uma vantagem competitiva para os executivos cuja agenda de trabalho externa exija presença física e agilidade estratégica.
Contudo, o aumento da demanda no setor tem gerado filas de espera desconfortáveis para quem busca adquirir aviões e helicópteros. Para isso, na visão do CEO da Avantto, o compartilhamento de propriedade é a melhor solução.
“Este modelo reduz em até 95% do investimento e tem um custo fixo operacional menor. Além disso, no caso do programa Avantto Share, o uso é garantido em contrato, desde que a solicitação de voo seja feita seis horas antes para helicópteros e de 24 horas no caso dos aviões”, explica.
Em um mundo onde decisões e oportunidades surgem em ritmo acelerado, a mobilidade aérea privada deve ser vista como um elemento-chave da infraestrutura econômica moderna, onde cada minuto economizado no deslocamento corporativo representa potencial ganho de valor agregado para a empresa.