
(Foto: Lufthansa/Divulgação)
Por Avantto
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Um ícone dos céus acaba de voltar à vida na Alemanha. Para comemorar seu centenário, completados em janeiro, a companhia aérea Lufthansa restaurou por completo um dos clássicos dos céus do mundo entre os anos 1940 e 1960: o Lockheed Constellation Super Star.
Fabricado nos Estados Unidos, “Connie”, como ficou conhecido, foi uma aeronave à frente do seu tempo. Criado no fim dos anos 1930, trazia inovações tecnológicas e de design, se tornando o avião de passageiros mais luxuoso e veloz da época, capaz de voar a 563 km/h e transportar 44 passageiros.

Desmontada, a aeronave foi trazida dos Estados Unidos para a Alemanha de navio; em solo alemão, viajou sobre carretas (Foto: Lufthansa/Divulgação)
O modelo reformado pela Lufthansa foi construído originalmente em 1957 e fez seu último voo em 1983. Entre 2008 e 2018, passou por um longo período de restauração, ainda em solo americano. Mas a falta de peças sobressalentes e de mecânicos mais experientes fez com que a Lufthansa optasse por levar o avião desmontado e de navio até Hamburgo, na Alemanha. Isso porque a cidade abrigou o centro manutenção dos aviões transcontinentais da companhia, incluindo os Constellation.
O restauro completo terminou em 2025 e o avião foi novamente deslocado, desta vez em imensas carretas, para o Aeroporto de Frankfurt, sua escala final. Ali, ele se tornou a atração principal do Lufthansa Group Hangar One: um espaço que funciona, desde janeiro, como o novo centro de convenções e de visitação do público. Lá dentro, galeria de fotos, objetos históricos e um avião Junkers 52, também recuperado, ajudam a contar a trajetória dos 100 anos da empresa.
Com 35 metros de comprimento, 45 metros de envergadura e 7,5 metros de altura, o Super Star foi incorporado à frota da Lufthansa em 1957, sendo o primeiro a contar com a Senator Class, a categoria mais sofisticada da aviação naquela época, nos voos transatlânticos. A cabine pressurizada, sistema anti-icing, controles com assistência hidráulica e a inconfundível cauda tripla – feita para dar mais estabilidade de voo – são marcas da inovação tecnológica do modelo.

A montagem final foi feita no Hangar One, novo centro de conferências e visitação da Lufthansa no Aeroporto de Stuttgart (Foto: Lufthansa/Divulgação)
HISTÓRIA
O Lockheed Constellation Super Star nasceu mesmo para ser uma estrela da aviação mundial. A primeira visão do modelo surgiu em 1939, quando o bilionário Howard Hughes encomendou um projeto de avião para 20 passageiros para a Lockheed Corporation. A proposta despertou a ambição da companhia, que resolveu criar algo ainda maior: um grande avião para 44 pessoas, luxuoso e veloz, para ser uma alternativa às viagens de trem e navio pelos Estados Unidos.
O projeto foi desenvolvido em absoluto sigilo: Hughes, então dono da TWA Airlines, encomendou 35 aeronaves e tratou o assunto como um segredo militar. Chegou a exigir exclusividade na venda, barrando a concorrente Pan-Am, mas acabou vencido pelas Forças Armadas dos EUA.
Lançada no fim dos anos 1930, a aeronave foi fabricada por vinte anos, sendo usada tanto em voos transcontinentais de passageiros, como a serviço das Forças Armadas dos Estados Unidos (Foto: Lufthansa/Divulgação)
No início dos anos 1950, a versão 1049 do modelo trouxe requintes como ar-condicionado, bancos reclináveis, banheiros extras e acabamentos em madeira. Em 1959, sua produção comercial chegou ao fim, já sob o impacto da chegada dos novos aviões à jato. Até então, os cerca de 600 Constellation Super Star já haviam voado pelas principais companhias aéreas do mundo, além de brilhar como aeronave militar por décadas.
Passado todos estes anos, sua grandiosidade como uma das aeronaves mais elegantes dos primórdios da aviação comercial pode ser percebida pelo número de Connies em exposição em museus e eventos ao redor do mundo.