
Foto: (João Kehl/Divulgação)
Por Fabiano Mazzei
Tempo de leitura: 05 minutos
Não tem muito tempo, e falar de vinhos brasileiros se resumia a discutir rótulos produzidos no Sul do país. Pela tradição, as regiões da Campanha Gaúcha, Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul, sempre foram conhecidas como capitais nacionais da bebida, mas esta é uma realidade que vem mudando nos últimos anos.
Entretanto, no menu de restaurantes e nas adegas mais cobiçadas do país, figuram atualmente garrafas produzidas em locais absolutamente inusitados, como São Gonçalo do Sapucaí (MG), Espírito Santo do Pinhal (SP), Mucugê (BA) e Lagoa Grande (PE). Sim, o vinho brasileiro encontrou novos “terroirs” para se desenvolver e surpreender até os paladares mais exigentes.
Parte importante desse fenômeno de expansão das fronteiras produtivas se deve a investimentos em infraestrutura para o fornecimento de água, a fertilização de solos áridos e a evolução das técnicas de cultivo. A principal delas é a “dupla poda”, que consiste no manejo das videiras em dois momentos do ano – primavera e no verão –, induzindo a colheita para o inverno, quando a maturação da uva é melhor, com concentração maior de açúcar e compostos fenólicos.
Resultado: a inclusão de novas regiões ajudaram no crescimento do setor. Em 2025, o Brasil produziu 2,9 milhões de hectolitros de vinho, alta de 38% em relação ao ano anterior e 15% acima da média desde 2020. No mundo, o país é 18º maior produtor global e o 15º em consumo da bebida (3,1 milhões de hectolitros), segundo a Organização Internacional do Vinho (OIV).

Casa Tés, na Serra da Mantiqueira (SP) (Foto: Divulgação)
CASA TÉS (SP)
Os sete hectares de videiras se dividem em: Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Sauvignon Blanc e Sémillon, que foram cuidadosamente selecionadas e plantadas após os estudos. Os vinhos são produzidos entre 900 e 1.300 metros de altura, na Fazenda Santa Maria, Serra da Mantiqueira (SP). Uma comunidade engajada e responsável por cada detalhe, que se conecta de forma genuína com a mata nativa, com o rio limpo e com a horta coletiva da fazenda. Entre as iniciativas que visam diminuir os impactos na natureza estão o saneamento com biodigestores, compostagem de esterco e energia solar. Em 2025, a Casa Tés conquistou um feito inédito para a viticultura nacional: o rótulo Casa Tés 2022 foi o primeiro vinho brasileiro a integrar a seleção dos melhores vinhos do The World’s Best Sommeliers’ Selection 2025 (WBSS), promovido pela prestigiada William Reed – instituição responsável pelo The World’s 50 Best Restaurants.
casates.com.br
@casates_

UVVA (BA)
A vinícola familiar instalada em Mucugê, na Chapada Diamantina (BA), começou a ser estruturada em 2012, com o plantio das primeiras cepas de uva. Contudo, a inauguração aconteceu apenas dez anos depois. No total, são 52 hectares de vinhedos próprios, situados a uma altitude média de 1.150 metros. Eles cultivam castas francesas como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Syrah, Petit Verdot, Pinot Noir e as brancas Chardonnay, Sauvignon Blanc e Viognier. Embora jovem, a Uvva conta com vinhos premiados. Os rótulos Diamã e Microlote Chardonnay já foram laureados com medalhas de ouro e prata no Vinalies Internationales, organizado pela União dos Enólogos da França. A vinícola conta com excelente infraestrutura de receptivo para visitantes, incluindo tours pela propriedade e degustação de vinhos. O acesso pode ser feito com avião particular, a partir do aeródromo que fica na Fazenda Progresso.
vinicolauvva.com.br
@vinicolauvva

Locanda do Vale, na região da Chapada dos Guimarães (MT) (Foto: Divulgação)
LOCANDA DO VALE (MT)
A 63 km de Cuiabá (MT), parreirais carregados de uvas como Syrah, Sauvigon Blanc, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Viognier têm gerado vinhos surpreendentes, bem no coração da Chapada dos Guimarães. Inaugurada em 2022, a jovem vinícola boutique criada pelo casal Raquel Molina e Luiz Oliveira é a primeira de categoria premium do Mato Grosso. A produção começou dois anos depois, com 120 garrafas de um Syrah fresco e elegante, resultado do manejo de dupla poda. Outros rótulos importantes são um Sauvignon Blanc com Viognier e outro Syrah com 12 meses em barril de carvalho francês. A dupla de produtores investiu fortemente em tecnologia e inovação para alcançar tamanha excelência em tão pouco tempo, contando com o suporte de agrônomos, enólogos e outros especialistas do ramo. A vinícola também oferece passeios pela propriedade, como tours guiados, piquenique e degustações, mediante reserva.
locandadovalle.com.br
@locandadovale