
Por Avantto
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Um voo curto, de pouco mais de um minuto, mas que representou um imenso passo para o futuro da mobilidade área urbana mundial. Assim pode ser definida a primeira missão do do protótipo de drone não tripulado do “carro voador” da Eve Air Mobility, realizado em meados de dezembro de 2025, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
O veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (eVTOL, na sigla em inglês) sobrevoou a pista de testes da Embraer – sócia majoritária da Eve –, a 12 metros de altura, controlado remotamente por um piloto humano.
O voo inaugural serviu para conferir a integração de sistemas essenciais da aeronave, como o conceito de fly-by-wire de quinta geração e os rotores dedicados exclusivamente ao voo vertical. Em 2026, a empresa pretende realizar centenas de voos, expandindo gradualmente o envelope para a transição para voos totalmente sustentados pelas asas ao longo do ano.

No interior de São Paulo, a Eve Air Mobility realizou o primeiro voo com piloto remoto de seu eVTOL (Foto: Eve/Divulgação)
“Este é um marco histórico para os nossos colaboradores, clientes, investidores e para todo o ecossistema de mobilidade aérea urbana”, afirmou Johann Bordais, CEO da Eve. “Este voo valida nosso plano, executado com rigor para entregar a melhor solução ao mercado. Conseguimos capturar informações cruciais que nos permitirão avançar com segurança e confiança no caminho até a certificação”.
A Eve produzirá seis protótipos certificáveis para conduzir a campanha de testes em voo com foco na certificação da aeronave. A empresa segue trabalhando em colaboração com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), autoridade primária do eVTOL da Eve, para avançar na regulação e no processo de certificação. A expectativa é alcançar a certificação de tipo, realizar as primeiras entregas e iniciar a operação comercial em 2027.
“Testamos nossas leis de controle, verificamos a integração dos oito rotores sustentadores e avaliamos o gerenciamento de energia, a resposta dinâmica da aeronave e o ruído externo”, afirma Luiz Valentini, Chief Technology Officer da Eve. “O protótipo se comportou exatamente como previsto pelos nossos modelos. Com estes dados, ampliaremos o envelope da aeronave e avançaremos para o voo de transição sustentado pelas asas de maneira disciplinada, aumentando para centenas de voos ao longo de 2026 e construindo o conhecimento necessário para a certificação de tipo”.
“Este voo dá um sinal verde para avançarmos no que realmente importa para os operadores: confiabilidade, eficiência e simplicidade”, destaca Jorge Bittercourt, Chief Product Officer da Eve. “Validamos elementos críticos, desde nossa arquitetura de rotores sustentadores até a mecânica de voo da aeronave, e agora seguimos para a fase de testes em voo com foco em evoluir a maturidade do produto”.

O “carro voador” da Eve deve entrar em operação até o final da década. Aeronave pretende revolucionar a mobilidade aérea urbana (Foto: Eve/Divulgação)
MERCADO POTENCIAL
O parque industrial para a produção do eVTOL ficará em Taubaté (SP) e terá capacidade para fabricar 480 unidades por ano, segundo informações da companhia. A Eve já teria recebido cerca de 2,8 mil encomendas dos drones, entre contratos firmes e cartas de intenção de compra. Este volume equivale a US$ 14 bilhões.
A Avantto é um dos clientes da Eve. Em 2021, a empresa assinou uma carta de intenções para a aquisição de 100 aeronaves. No mesmo ano, ambas as organizações anunciaram uma parceria para o desenvolvimento do ecossistema de serviços e procedimentos operacionais associados aos eVTOLs em toda a América Latina.

Capaz de transportar cinco ocupantes – incluindo piloto –, o drone de passageiros terá autonomia de voo de 100 km, sendo ideal para voos curtos (Foto: Eve/Divulgação)
O modelo foi projetado para cinco ocupantes – piloto mais quatro passageiros – e tem autonomia de voo de até 100 km. O uso poderá ser tanto para deslocamentos urbanos, quanto para viagens turísticas, apoio a segurança pública ou transporte aeromédico.
De acordo com a fabricante, a mobilidade dentro das grandes cidades será amplamente favorecida pelos eVTOLs. Uma viagem da Zona Sul de São Paulo ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, por exemplo, levaria apenas 15 minutos a bordo de um drone – contra as quase duas horas atuais, no trajeto terrestre.